Diferente do que muitos pensam, o trauma não está apenas relacionado a eventos extremos, como acidentes ou perdas. A construção de traumas infantis é, muitas vezes, silenciosa.
O desafio da prevenção a traumas infantis é ainda maior, pois, muitas vezes, as próprias vítimas não entendem a construção desses traumas ou não sabem expressar aquilo pelo que estão passando.
Cabe aos adultos, família e escola, um papel fundamental nessa prevenção. Precisam desenvolver uma observação atenta, sensível e objetiva, o que é bastante desafiador em um cotidiano repleto de tarefas e distrações.
Qualquer atitude educativa exige conhecimento sobre com o que lidamos. Assim, compreender o que são esses traumas, como eles surgem e de que maneira podem ser prevenidos é essencial, tanto para as famílias como para os educadores.
Traumas infantis são experiências emocionalmente intensas. Podem estar associados a experiências de todo tipo: abusos morais, sexuais, bullying, abandono, humilhação, injustiça, exigência desproporcional à capacidade de realização ou compreensão.
Além de eventos pontuais e marcantes, situações aparentemente simples podem ter repercussões duradouras e bastante prejudiciais. Exemplos dessas situações são rejeição constante, falta de acolhimento emocional, conflitos frequentes ou ambientes instáveis.
O que define um vai além do acontecimento em si, mas a forma como a criança é acolhida, apoiada para interpretar e processar o que passou ou o que ainda vivência.
São muitas as possibilidades para o surgimento de um trauma infantil, mas em geral estão associadas aos ambientes que frequentam (presenciais e virtuais) ou às pessoas com quem convivem. Experiências solitárias, como assistir a um filme, por exemplo, também podem ter um papel importante.
Algumas experiências comuns que podem desencadear traumas na infância:
• Eventos extremos: há eventos que fogem ao controle dos envolvidos e são marcantes mesmo para os adultos, como acidentes de trânsito, morte de alguém próximo, por exemplo;
• Ambiente instável emocionalmente: maus-tratos físicos e psicológicos reiterados são fonte de grande sofrimento e potencialmente traumáticos para a vida toda;
• Falta de empatia: ao não prestarmos atenção às necessidades de afeto, validação, compreensão e apoio de que as crianças precisam, podemos cultivar insegurança e sensação de abandono;
• Mudanças contínuas e repentinas: nessa fase da vida em que a criança começa a compreender o mundo ao seu redor, ela gosta e precisa de previsibilidade e espaço estruturado;
• Exigências desproporcionais: é muito comum cultivarmos grandes expectativas quanto ao futuro das crianças, (inclusive profissional!), impondo exigências que vão muito além das capacidades delas.
É fundamental acreditarmos na possibilidade de desenvolvimento saudável e produtivo, mas dependendo de sua natureza e intensidade, os traumas infantis exigirão grande esforço por parte da criança e das pessoas mais próximas ao lidarem com suas consequências e danos. Alguns dos principais impactos desses traumas são:
• Instabilidade emocional e hipersensibilidade;
• Baixa autoestima e autoimagem negativa;
• Dificuldades de socialização;
• Ansiedade, insegurança e medo excessivo;
• Problemas de concentração e aprendizagem;
• Comportamentos agressivos ou retraídos;
• Transtornos psiquiátricos mais severos.
Evidentemente esses comportamentos podem aparecer combinados, em diferentes momentos, de diferentes formas e intensidades.
Em uma educação séria, afetiva, competente e responsável a presença dessas características devem ser tratadas como motivo de enfrentamento, parceria, acolhimento e transformação. Em hipótese nenhuma elas devem ser encaradas como constitutivas incontornáveis de uma criança, mas como desafio e combustível para a atuação educativa, tanto das famílias como dos educadores.
A família é o primeiro espaço de afeto e a primeira responsável por apresentar o mundo para as crianças.
O desenvolvimento humano é complexo e sujeito a incontáveis influências. Nenhuma ação, por mais bem-intencionada que seja, pode garantir um resultado. No entanto, a família tem um papel central na prevenção a traumas infantis e algumas atitudes podem ajudar nesse desafio:
• Ambiente seguro e estável: rotina estruturada;
• Escuta e observação atentas e ativas;
• Resolução de conflitos com foco no aprendizado;
• Educação parental;
• Comunicação clara e adequada à idade, validando as emoções e acolhendo dúvidas e expressão de medos com naturalidade;
• Demonstração de afeto.
A escola é o espaço de aprendizado, especialmente a partir da convivência com crianças de idade parecidas, educadores e vários adultos em diversas funções. São muitas as experiências diárias, todas elas oportunidades de desenvolvimento.
A escola pode ter um papel fundamental na prevenção ou mesmo na identificação de traumas. Tudo parte de ser um lugar de acolhimento, que transmite segurança emocional. Isso não significa que a criança não terá momentos de conflitos, frustrações ou que não se sentirá injustiçada, às vezes. Isso acontece, em algum momento, com todos e em todas as escolas. A questão é a escola estar atenta aos sinais das consequências desses acontecimentos na criança.
Além de ser um lugar de aprendizagem acadêmica e técnica, as escolas devem valorizar o desenvolvimento socioemocional para promover habilidades essenciais para a vida e convivência: empatia, resiliência, autocontrole e autoconhecimento.
Algumas práticas escolares que podem ajudar no trabalho de fortalecimento e prevenção aos traumas infantis:
• Incentivo ao diálogo e à expressão emocional
• Mediação de conflitos com foco na aprendizagem
• Combate ao bullying
• Atenção individual às necessidades de alunos e alunas
• Promover um ambiente seguro com foco em relações respeitosas
• Desenvolver o senso de escuta e observação atentas em todos os profissionais, não somente os professores.
Todo esse trabalho é potencializado quando há uma parceria efetiva entre escola e família. Como dizem “é preciso uma aldeia para educar uma criança”.
Quando a escola e a família trabalham juntas, criam uma rede de apoio sólida que favorece o crescimento saudável da criança.
O CEB é conhecido como um lugar em que todos seus profissionais são intencionalmente educadores. Faz parte da cultura da escola o cultivo do olhar atento, respeitoso e individualizado por todos que frequentam suas salas e corredores.
Há projetos socioemocionais em todos seus segmentos sobre temas como sexualidade, trabalho, pertencimento, autocuidado e colaboração, entre outros.
Prevenir traumas infantis passa pelo fortalecimento intencional de seus alunos e alunas e esse é o lema da escola: “Fortalecer meninos e meninas para uma jornada imprevisível”.
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• Muitas vezes as próprias vítimas não entendem a construção de traumas ou não sabem expressar aquilo pelo que estão passando;
• Adultos precisam desenvolver uma observação atenta, sensível e objetiva, o que é bastante desafiador em um cotidiano repleto de tarefas e distrações.
• Em hipótese nenhuma qualquer sintoma de um trauma deve ser encarado como constitutivo incontornável de uma criança, mas como desafio e combustível para a atuação educativa, tanto das famílias como dos educadores.