A difícil tarefa de mediar conflitos 

12 de maio de 2023 | Educação Infantil, Fundamental 1, Fundamental 2
  • Pai, eu quero que ele pare! 
  • Mãe, eu quero que ele me dê! 
  • Pai ou mãe: Eu quero paz! 

Pais, mães e educadores podem querer agir diante de um conflito para proteger os envolvidos dos sentimentos desconfortáveis que aparecem em situações assim, tais como culpa, mágoa, vergonha, raiva, entre outros. Mesmo sendo mais desafiador, é mais produtivo o mediador adotar uma postura de tornar a situação uma fonte de aprendizado e, por consequência, fortalecimento de todos os envolvidos.  

Todos podem aprender com os conflitos 

Quando temos o papel de resolver conflitos de nossos filhos, filhas ou estudantes, há muitos dilemas em nós mesmos para serem trabalhados: temos a tendência de querer nos livrar do problema resolvendo-o rapidamente; sentimos maiores dificuldades quando estamos mais envolvidos com uma das partes, por exemplo, se nosso filho estiver nessa situação; nem sempre sabemos qual seria a melhor saída para a situação. 

Quando já temos tantas coisas com o que nos preocupar, a própria obrigação de atuar diante de um conflito já nos traz desconforto, claro, mas se olharmos para ele como uma oportunidade de aprendizado a todos os envolvidos, isso pode nos trazer algum alívio, além de uma nova motivação. 

O conflito pertence aos envolvidos 

São os envolvidos no conflito que devem operar a partir das necessidades de enfrentamento, mas o papel de mediação pode ser fundamental! Num primeiro momento, o adulto pode pedir para a criança ou jovem descrever a situação, o que pode tornar mais claras as responsabilidades e as formas de atuação a partir daí. O mediador também deve legitimar as regras do ambiente em que aconteceu o conflito, como na escola, por exemplo, onde não é permitida qualquer violência física para a resolução de problemas. Outra ação importante é garantir que os interesses da “outra parte” sejam considerados, já que quando estamos no centro de um conflito temos a tendência de somente ver nosso lado. Treinar um olhar empático é fundamental para uma convivência pacífica. 

Os conflitos dão pistas do que os envolvidos precisam aprender e desenvolver. Um exemplo é um aluno que deve falar sobre o ocorrido com a família, mas não consegue se comunicar ou ter a coragem de fazer isso. A escola pode atuar para ajudá-lo a elaborar esse comunicado, o que passa pela reflexão sobre sua atuação e o que o motivou a agir de determinada forma.  

Mediação 

  • Atuar sem julgamento de valor e sem tomar partido. Por mais difícil que isso possa parecer, é a única maneira de promover o desenvolvimento de todos os envolvidos; 
  • Incentivar os envolvidos a descrever o que aconteceu e a dizer quais são seus sentimentos diante disso; 
  • Incentivar os envolvidos a apontar possíveis soluções e refletir sobre a proposta de resolução das “outras partes”; 
  • Na maioria das vezes, os conflitos não são resolvidos com a rapidez que gostaríamos. É importante ter paciência para cumprir as etapas de uma resolução; 
  • É fundamental que o mediador controle a sua própria emoção, especialmente se ele for muito próximo a um dos envolvidos. 

Em busca da independência 

Quando não enfrentamos os conflitos, suas causas e possíveis consequências, querendo somente afastá-los ou resolvê-los apressadamente, não ensinamos os envolvidos a lidar com os conflitos, que são inerentes à vida, futuramente, e não atuamos no sentido de fortalecer os jovens e crianças.  

Em resumo: 

  • São os envolvidos no conflito que devem operar a partir das necessidades de enfrentamento, mas o papel de mediação pode ser fundamental! 
  • Mesmo sendo muito desafiador, é mais produtivo o mediador adotar uma postura de tornar o conflito uma fonte de aprendizado do que afastá-lo ou resolvê-lo apressadamente; 
  • Há técnicas para se atuar como mediador, mas elas não funcionarão se não tivermos um olhar mais abrangente para os significados de um conflito, desde suas causas até suas consequências. 

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